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Entrevista com Luis Medina

Luis Medina - Grande Vencedor do - I Solverde Texas Hold'em Tournament"

POKER EUROPA: Qual é a sensação de ganhar a final do I Torneio Texas Hold'em realizado em Portugal?

LUIS MEDINA: A sensação é indescritível. A organização, os participantes e os espectadores tornaram este torneio num evento inesquecível. Nunca pensei que pudesse ser tão importante como se veio a verificar.

PE: Alguma vez participou em algum torneio ao vivo antes deste?

LM: Sim, em diversos, inclusivé no primeiro campeonato do mundo de heads up em viena, (http://www.pokerpages.com/tournament/result2422.htm ) aonde tive a oportunidade de defrontar o Ted Forrest num jogo de heads up no limit hold’em que durou 4h30m. Fui eliminado nesse  jogo. Tive oportunidade de conhecer e jogar com alguns jogadores como o Amarillo “Slim” Preston, o Dave Delvilfish Ulliot, Simon Aces Trumper, Bruno Fitoussi, Phill Helmuth, e outros menos conhecidos para a maioria.

http://www.pokerstars.com/wcoop/2003/heads-up/

PE: Este foi o primeiro torneio em Portugal. Enquanto jogador de poker, acha importante que se realizem mais torneios deste género no nosso País?

LM: Acho fundamental. Portugal mais uma vez nesta, tal como noutras actividades, está muito atrasado relativamente aos restantes países europeus, não sendo necessário referir os estados unidos. Situações como esta levam algumas pessoas a optar por ir para Espanha, Reino Unido ou França, de forma a encontrar locais e actividades que permitam aos "fãs" entrar num torneio e passar um ou dois dias diferentes. Não só não incentivamos como temos leis e restrições que não facilitam. Continuamos a legislar a reboque doutros países. A maioria das pessoas pensa que o poker é um jogo de cartas mas não. O Poker é muito mais do que um jogo de cartas.

PE: Considera que Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer neste campo, quando comparado com outros países europeus? Porquê?

LM: Enorme. A primeira questão que se coloca, e que muitas pessoas não se apercebem, é que para organizar eventos como este há que "criar" uma estrutura que permita a realização de eventos de poker. Começa antes de mais nas regras que devem ser definidas e aprovadas e em seguida formar profissionais (dealers) para garantir que os eventos aconteçam. Fico admiradíssimo de constatar o enorme trabalho que o João Nunes e a sua equipa conseguiram com o apoio do Casino Solverde.

PE: Qual é a sua profissão?

LM: Sou consultor em gestão, organização e mudança organizacional.

PE: Há quantos anos joga Poker?

LM: Jogo desde muito pequeno o que os norte americanos chamam "Friday kitchen games" em que , em família, se joga a "tostões". Ora este poker é apenas uma diversão e um jogo de sociedade. Mais tarde aprendi a jogar king, canasta e finalmente bridge que juntamente com a canasta são jogos pelos quais tenho uma predileção e um gosto especial mas não podem ser comparáveis ao poker - texas holdem, stud e omaha - que estão no que considero outra categoria de jogos. Quer pela sua complexidade e envolvência quer por um factor específico e único que é o bluff e que condiciona irremediavelmente o resultado de um jogo de poker. O bluff consiste na forma que cada um de nós tem de "representar"  mãos de poker. Este aspecto introduz no poker este factor derradeiro que são as pessoas, as suas formas de jogar e de "representar" tornando o poker num jogo de pessoas e de subtilezas, leituras, sinais, e incontáveis métodos (únicos) de jogar numa mesa de poker. A quantidade de informação disponível numa mesa de poker para um jogador e o número de decisões que ele tem de tomar a cada momento são inimagináveis. Para quem goste de xadrez e de outros jogos de bastante complexidade vão ficar "esmagados" pelo potencial e dificuldade do poker. É claro que existem aspectos e técnicas que levam anos a perceber e a utilizar.

PE: Costuma jogar na internet? Onde aprendeu a jogar?

LM: Jogo desde muito pequeno, mas começei a "estudar" o poker em 1997 num site chamado poker school online aonde pratiquei e aprendi o básico. O resto vai-se aprofundando e melhorando com o tempo, com leitura e pratica.Na Internet jogo quado o tempo me permite ao fim de semana. Cada vez menos. Passam-se semanas ou mesmo meses que praticamente não jogo.

PE: Qual é o balanço que faz da sua participação neste evento? Qual o balanço que faz da realização do torneio? Acha que correu bem, era aquilo que estava à espera?

LM: O balanço da minha participação é o melhor possível. Tomei as opções correctas a cada momento (quer fosse um fold, um call ou um raise) e poker são opções.Quanto ao torneio e à organização fico admirado pelo profissionalismo que foi conseguido. Nunca pensei que fosse possível realizar um torneio pela primeira vez como este. Brilhante em todos os aspectos.

PE: Acabou por vencer o torneio. Considera que teve sempre adversários à altura ou foi fácil ganhar? Houve algum adversário "especial", que lhe tenha dado mais luta?

LM: Não existem adversários fáceis mas existem adversários que nos facilitam a leitura das suas "mãos".  Nunca é facil ganhar porque o número de variáveis são tantos que é impossível prever o que vai acontecer nos próximos minutos.

PE: Numa das mãos da Final Table esteve a pensar durante mais de cinco minutos e depois decidiu fazer Call com 8-5. Como justifica um Call nesta situação?

LM: As jogadas têm de ser analisadas com base em diversos factores; número de jogadores no torneio, stack média, a minha stack, stack maior, posição, nível das blinds, tempo para o próximo nível, jogador que fez o raise, a minha posição em relação a esse jogador, quantos jogadores estão ainda na mão (still to act) e com voz activa nessa mão, stack desses jogadores, stack do jagador que fez o raise, tipo de jogo desse jogador (tight, loose, agressive, tight agressive, loose agressive, etc) o meu objectivo no torneio, qual o resultado dessa mão se eu perder e se eu ganhar, quais as minhas opções (call, reraise, raise all in, fold) e o que irá ser afectado após essa decisão (minha stack e a stack desse jogador), quantas "orbits" ainda tenho (forma de cálculo da minha stack por round de Antes+SB+BB), e mais alguns aspectos que nem sequer irei referir aqui. Quando se joga poker (em torneios) estes aspectos e outros são considerados em CADA jogada e isso é o que torna o jogo único. Como tal, embora penso saber qual foi essa jogada é muito difícil falar de uma jogada sem saber em que circunstância a mesma foi jogada porque a decisão deve ser analisada à luz da situação. A jogada específica penso que foi o que é chamado como um "no brain call" porque as minhas hole cards são irrelevantes. Fiz um raise ao Luis Vale na minha SB e ele foi all in na BB dele. O meu call foi meramente matemático; em função da minha stack, do pot, da diferença para fazer o call  era matematicamente inviavel outra decisão porque as odds (probabilidades oferecidas pelo pot relativamente ao valor que ainda me falta para fazer o call) eram favoráveis. Como tal o call é automático. O que algumas pessoas não entendem, e percebe-se pelos comentários, é que fazer um fold de uma mão tão má como seja 72 off é errado mesmo que o jogador que está all in me mostre AA porque uma percentagem de vezes o 72 ganha (cerca de 13% das vezes). Como tal até considerando que estou contra AK o meu 85 ganhará 36% das vezes. O que é necessário é que eu saiba qual é essa percentagem e se o pot me oferece a mesma percentagem para eu colocar o resto das fichas nele. Existem outros aspectos que podem ser considerados numa decisão deste género mas que não interessa muito falar aqui pela dimensão da explicação.

PE: Se um dia ganhar um grande evento internacional (WSOP, WPT ou EPT), para quem será o seu primeiro telefonema?

LM: Para o meu contabilista.

PE: O que o leva a participar nestes torneios e a jogar poker? O que mais o fascina neste jogo?

LM: A dificuldade, e necessidade de entender e interpretar inúmeras variáveis em cada situação, a necessidade de "ler" as pessoas e ver como elas reagem nas diversas situações.

PE: O que é preciso para ser um bom jogador de poker?

LM: Uma enorme paciência, um fantástico auto-controlo emocional e equilíbrio, muita atenção mesmo ou até especialmente aos pormenores mais insignificantes, bons conhecimentos de matematica/probabilidades e excelentes conhecimentos de "psicologia" aplicada ao jogo.

PE: O Dr. Fernando Fernandes, Administrador do Casino anunciou um próximo torneio, para Novembro. Irá participar de novo?

LM: Sim, desde que as minhas obrigações profissionais  não me impeçam irei participar.

PE: O nick que utiliza (spxdes) tem algum significado especial?

LM: Não. É o naipe que mais gosto e iniciei com esse nick no poker school online e ficou.

PE: Quando resolveu inscrever-se no torneio, pensava vir a ganhar?

LM: Quando me inscrevo num torneio espero sempre ganhar. Esse é o meu objectivo sempre!

Equipo PEPT

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